Hoje, o Brent recuou para US$ 108 por barril, devolvendo parte dos ganhos após subir 4% nas duas sessões anteriores, enquanto o WTI era negociado em torno de US$ 105. A forte alta recente foi provocada pela paralisação do oleoduto East-West, na Arábia Saudita, e pela interrupção do fornecimento da Líbia.
Outro fator que contribuiu para a onda de vendas foi um relatório do American Petroleum Institute (API). Segundo os dados do API, os estoques comerciais de petróleo bruto dos EUA aumentaram em 7,1 milhões de barris na semana. Os estoques de gasolina e destilados também cresceram. Os dados oficiais do governo serão divulgados posteriormente, na quarta-feira, e o mercado os acompanhará para determinar se a correção se sustentará ou se a alta será retomada. A implicação direta é que o aumento dos estoques reduz os argumentos a favor de uma escassez imediata de oferta, levando os investidores especulativos com posições compradas, que impulsionaram os preços nos últimos dois dias, a começar a encerrá-las parcialmente.
Apesar da pausa, o petróleo acumula uma alta significativa no ano, em meio à expansão do conflito entre os EUA e o Irã pelo Oriente Médio. A alta dos preços do petróleo, juntamente com uma elevação ainda mais acentuada dos combustíveis refinados, contribuiu para uma onda inflacionária global e, nesse contexto, espera-se que o Fed aumente os juros hoje para conter a alta dos preços. Os beneficiados por essa dinâmica são os exportadores de petróleo e os detentores de posições compradas já abertas, enquanto os prejudicados são os consumidores de combustíveis e os bancos centrais obrigados a responder à inflação com uma política monetária mais restritiva.
Outro problema é a falta de clareza sobre quando o oleoduto saudita será reativado, embora o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, tenha afirmado que a paralisação deverá durar alguns dias. Devido às interrupções no fornecimento, a Saudi Aramco já está adiando embarques para alguns clientes europeus, obrigando os compradores a buscar barris alternativos — o que beneficia fornecedores de outras regiões capazes de entregar volumes com urgência para substituir a oferta saudita.
Os traders também monitoram o Iêmen, onde os houthis, apoiados pelo Irã, estão avançando contra grupos rivais locais e intensificando os ataques contra alvos na Arábia Saudita e suas rotas marítimas, avançando em direção ao estreito de Bab al-Mandeb — um importante gargalo na saída sul do Mar Vermelho.

Cenário técnico: os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 104,70. Isso abriria caminho para o alvo de US$ 109,30, acima do qual um rompimento seria difícil. O alvo mais distante está na região de US$ 113,40.
No movimento de baixa, os vendedores tentarão assumir o controle de US$ 100. Se conseguirem, o rompimento da faixa atingiria fortemente as posições dos compradores e levaria o petróleo em direção à mínima de US$ 96,54, com possibilidade de extensão até US$ 92.
LINKS RÁPIDOS