O dólar dos EUA continua a se fortalecer, alcançando máxima de duas semanas em meio a novos movimentos voláteis nos mercados financeiros. Nos últimos dois dias, o índice do dólar (DXY) subiu cerca de 0,2%, mantendo‑se em torno de 97,8 e estendendo seu ímpeto de alta.
Os principais vetores da força do dólar são os desenvolvimentos macroeconômicos e os eventos nos mercados de moedas europeias. Dentre os fatores‑chave que apoiam a moeda americana incluem decisões de bancos centrais, instabilidade econômica e as reações do mercado a riscos globais.
Decisões recentes de bancos centrais europeus tiveram impacto significativo no mercado de FX. O dólar se fortaleceu após a reunião do Banco Central Europeu, na qual o BCE optou por manter as taxas de juros inalteradas. Em um ambiente de incerteza global e risco geopolítico elevado, a autoridade monetária reforçou uma postura cautelosa em relação à política monetária. Ainda assim, sem mudanças nas taxas, as perspectivas para o euro permanecem limitadas e condicionadas à evolução do cenário macro.
Outro evento relevante foi a decisão do Banco da Inglaterra de manter a taxa básica em 3,75%. A votação foi apertada — 5 a 4 — e o resultado pressionou a libra, que caiu cerca de 0,7% no dia frente ao dólar e ao euro. A moeda britânica recuou abaixo de US$ 1,36, ampliando a pressão sobre o câmbio. A instabilidade política no Reino Unido, incluindo a controvérsia em torno da nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos, também pesou sobre a libra.
Esses movimentos reforçam como decisões de bancos centrais continuam a orientar o comportamento dos mercados cambiais. No caso da libra, a combinação entre política econômica e incerteza política tem impacto direto sobre a taxa de câmbio, o que, por consequência, acaba favorecendo o dólar.

Uma das tendências mais marcantes da semana foi a queda do apetite por risco. Isso ficou especialmente evidente em meio à volatilidade do mercado acionário dos Estados Unidos, onde os investidores — apesar de resultados corporativos relativamente sólidos — passaram a adotar uma postura mais cautelosa. A volatilidade nas ações tende a alimentar a demanda por ativos de refúgio e, em contextos de incerteza e risco econômico, o dólar tradicionalmente se beneficia.
Sim Mo Siong, estrategista de FX do OCBC, observou que, em períodos de aversão ao risco, o dólar costuma se fortalecer. Esse movimento reflete tanto o seu status de moeda de reserva quanto a elevada procura por ativos considerados seguros quando aumentam os riscos políticos e econômicos globais.
A questão da independência do Federal Reserve e as expectativas em torno da futura política monetária dos Estados Unidos seguem sendo fatores centrais na dinâmica do dólar. Enquanto o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra mantiveram as taxas de juros inalteradas, a atenção do mercado permanece voltada para possíveis decisões do Fed capazes de provocar movimentos mais significativos na moeda americana.
Embora a precificação atual ainda indique a manutenção de juros elevados nos EUA, cresce o debate sobre eventuais cortes de taxas mais adiante. Diante da fragilidade econômica e do aumento do risco político, os traders começaram a incorporar a possibilidade de uma postura mais branda do Fed, o que também influencia o comportamento do dólar.
Caso as condições econômicas dos EUA se deteriorem de forma mais acentuada, o Fed poderá enfrentar pressão para afrouxar a política monetária, abrindo espaço para cortes de juros. Por ora, no entanto, a confiança na resiliência da economia americana tem sustentado o dólar e evitado uma desvalorização mais expressiva.
Nos próximos dias, os mercados acompanharão de perto os pedidos semanais de auxílio-desemprego, divulgados hoje. A expectativa é de que os pedidos subam para cerca de 212 mil, levemente acima dos 209 mil registrados na semana anterior. Esses números são um indicador relevante da saúde do mercado de trabalho e podem influenciar as expectativas em relação à trajetória da taxa de juros.
Embora o mercado de trabalho venha apresentando apenas oscilações modestas, a economia dos Estados Unidos continua demonstrando resiliência, o que sustenta a confiança dos investidores no dólar. As leituras de pedidos de seguro-desemprego podem provocar movimentos de curto prazo no mercado cambial, mas, no quadro geral, o cenário permanece relativamente estável.

Os mercados seguem monitorando atentamente os desdobramentos geopolíticos e as decisões dos bancos centrais. Apesar da desaceleração da inflação na zona do euro, o Banco Central Europeu manteve as taxas de juros em níveis relativamente baixos, o que torna o euro menos atraente em comparação com o dólar. A turbulência política no Reino Unido e a incerteza nos mercados financeiros dos Estados Unidos reforçam o papel defensivo do dólar como moeda de refúgio.
Os investidores também aguardam a divulgação de um novo conjunto de dados econômicos, incluindo PIB e inflação. Leituras mais fortes do que o esperado podem fortalecer ainda mais o dólar americano. Ao mesmo tempo, o momento exato de eventuais cortes de juros pelo Federal Reserve permanece incerto, o que tende a gerar volatilidade adicional nos mercados cambiais.
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