A Casa Branca e o candidato a presidente do Fed, Kevin Warsh, estão convencidos de que, mesmo em uma economia forte, a inflação pode permanecer baixa. Mas será que uma desaceleração da inflação ao consumidor é um sinal de um PIB forte? Os investidores não têm certeza. É por isso que a queda da inflação na França para o menor nível em cinco anos se tornou um catalisador para a venda do EUR/USD.
Dinâmica da inflação na França
No fim de janeiro, o mercado se perguntava se o BCE iria "frear" os otimistas do euro na reunião do Conselho do dia 5 de fevereiro. A lógica era que, quanto mais forte a moeda, maior a chance de desaceleração da inflação. Isso, no entanto, claramente não estava nos planos de Christine Lagarde e seus colegas. Embora a queda do EUR/USD possa tê-los acalmado em certa medida, a desaceleração do crescimento do CPI francês apenas aumentou as dores de cabeça do BCE. Retomar um ciclo de afrouxamento monetário seria o último cenário desejável, e uma má notícia para a moeda única europeia.
O impacto seria ainda mais negativo num momento em que a confiança no dólar americano começa a se recuperar. A indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed sacudiu os mercados financeiros. Os metais preciosos foram os mais afetados, depois de terem se beneficiado dos temores de que a independência do Fed fosse comprometida e de uma possível perda de confiança no dólar.
A diversificação das reservas oficiais avançava em ritmo tão acelerado que a participação do ouro em valor superou a dos títulos do Tesouro dos EUA — embora a liquidez desses ativos não seja comparável.
Participação do ouro vs. títulos do Tesouro dos EUA nas reservas dos bancos centrais

Na visão de Warsh, a principal causa da inflação foi o balanço patrimonial excessivamente inflado do Fed, que injetou liquidez barata em larga escala nos mercados, alimentando os ativos de risco e afrouxando as condições financeiras. A forte alta do ouro em janeiro teve um caráter claramente especulativo, os preços avançaram em ritmo inédito, de modo que a redução do balanço ajudou a estourar a bolha nos metais preciosos.
A grande incógnita agora é para onde esse capital será direcionado. O Bitcoin não se beneficiou de forma significativa da correção do ouro. As ações americanas estão próximas de máximas históricas e parecem esticar demais os fundamentos. Já os títulos enfrentam um dilema duplo: por um lado, a redução do balanço aumenta a oferta, pressiona os preços e eleva os rendimentos; por outro, um eventual corte mais agressivo na taxa dos Fed Funds teria o efeito oposto.

Como resultado, o principal beneficiário da nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Fed tende a ser o dólar americano. Ainda assim, surge uma contradição: Donald Trump defende um dólar mais fraco como forma de aumentar a competitividade das empresas dos EUA. Na minha avaliação, uma coordenação mais estreita entre o Federal Reserve e o Tesouro eleva o risco de intervenções cambiais diretas ou indiretas. Por isso, uma aposta agressiva no greenback envolve riscos relevantes — moderação segue sendo essencial.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do EUR/USD confirma uma tendência de baixa bem estabelecida. As posições de vendas abertas a partir de 1,1905 foram ampliadas com sucesso após o rompimento de 1,1835, nível que agora passou a atuar como resistência-chave.
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